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quarta-feira, 22 de março de 2017

O Gerontólogo​: o que faz esse profissional?

Queridos leitores! Como estão? 
O que tem achado de nossos conteúdos por aqui e das nossas redes sociais? Vocês tem sugestões? Não hesitem em nos escrever! Estamos abertos às opiniões de todos.

Nesse post, estamos trazendo novamente um assunto que ainda gera muitas dúvidas: O que faz o Gerontólogo? 
Tentaremos responder a essa pergunta ao longo do texto através de nossas próprias experiências e também nos baseando nas atuações de nossos colegas.

Nós já escrevemos um pouco a respeito da Gerontologia e se você quer saber mais clique aqui.
O gerontólogo é um profissional novo que vem atender a uma nova demanda: o envelhecimento populacional. Está acontecendo uma transição demográfica, ou seja, a pirâmide etária está mudando: o número de idosos vem crescendo e o de jovens diminuindo.
Confiram o vídeo abaixo elaborado pela rede UNA-SUS para entenderem melhor esse fenômeno.


Os avanços medicinais, o melhor acesso às informações, os avanços tecnológicos, além de hábitos mais saudáveis são aspectos que possibilitaram o aumento da longevidade e da expectativa de vida no mundo todo. Porém, alguns países se prepararam melhor do que outros para lidar com esse processo. O Brasil está engatinhando nessa questão e ainda há muito o que precisa ser pensado e repensado. Infelizmente, a fase da velhice é muito rotulada pela sociedade que não possui informações e educação relacionada ao processo de envelhecimento e à velhice. Cada vez mais são necessárias políticas públicas específicas que atendam com qualidade às necessidades da população mais velha. Alguns avanços já são vistos mas ainda não é o suficiente.

Nesse contexto, o gerontólogo pode auxiliar com o seu conhecimento biopsicossocial, cultural e econômico que possui a respeito do processo de envelhecimento e da fase da velhice. Esse profissional é preparado ao longo da graduação para ter um olhar diferenciado e especializado para essa parcela da população. Além disso, pode atuar em todas as fases do ciclo de vida, oferecendo capacitação e educação permanente para equipes que atendam grande número de idosos, formação à cuidadores de idosos, orientação e apoio aos familiares, auxiliar na construção de conhecimento a respeito do próprio envelhecimento e na valorização da pessoa idosa.
É um profissional que tem como objetivo somar as equipes e auxiliar com os seus conhecimentos a fim de proporcionar um atendimento mais qualificado a todos e oferecer um serviço de qualidade. Sendo assim, pode integrar equipes multiprofissionais em unidades de saúde, hospitais, Instituições​ de longa permanência, centros dia, centros de convivência e demais equipamentos, realizando a gestão de casos e avaliação ampla. Além disso, pode realizar atendimentos domiciliares, esclarecendo dúvidas de cuidadores, familiares e auxiliar nas dificuldades que podem surgir na fase da velhice.
Por ter uma formação ampla e com disciplinas de gestão no currículo, o gerontólogo tem a capacidade de atuar nessa área, trabalhando na administração de instituições que prestam serviços à população idosa e voltados para a promoção do envelhecimento ativo. Além de elaborar, promover e coordenar ações para informar a população sobre os cuidados específicos com os idosos, propor projetos e políticas públicas que melhor atendam às necessidades da velhice.
Há a possibilidade desse profissional seguir carreira acadêmica e na área da pesquisa.

As possibilidades são inúmeras, visto que todos envelhecemos a cada dia, desde a fecundação e que a velhice é uma fase do ciclo de vida.
 Vocês pensam nesse processo? Pensam em como querem chegar na velhice? Cuidam de suas saúde, de seus corpos e se planejam economicamente? Já pensaram onde e como querem morar quando forem idosos? O que vocês estão fazendo hoje para que tenham qualidade de vida no futuro?
O gerontólogo pode te ajudar a gerir todas essas questões.

E, o dia 24 de março é o dia do Gerontólogo! Parabenizamos à todos que lutam fortemente por essa profissão e aos nossos colegas tão especiais. Juntos iremos mais longe. Deixamos o nosso agradecimento especial à Associação Brasileira de Gerontologia que nos representa brilhantemente.
Está tramitando no Senado um projeto de lei para a regulamentação da nossa profissão. Saiba mais acessando o link a seguir e vote SIM. O sim para uma sociedade com maior qualidade de vida m todas as suas fases! http://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/114007

Agradecemos a visita de todos e continuem nos acompanhando. Se desejam saber mais entrem em contato conosco. Será um prazer conversar com vocês.
Não esqueçam de compartilhar a postagem para que o maior número de pessoas possa conhecer e entender a respeito do gerontólogo!
Um grande abraço a todos!

"Envelhecer, ainda, é a única maneira que se descobriu de viver muito tempo."  Charles Saint-Beuve



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Sexualidade na Velhice

Olá leitores! 
Como estão? 
Nós estamos na correria do dia-a-dia mas sempre buscando atualizar as nossas redes sociais. Sigam-nos também no Facebook e no Instagram. 😉

Hoje resolvemos trazer um assunto que ainda é um tabu para a sociedade e cercado de estereótipos: a sexualidade na velhice.
Quem pensa que a sexualidade trata-se apenas do ato sexual em si engana-se. Ela está ligada à nossa identidade, diz respeito a quem nós somos e é uma expressão do nosso self, além de estar ligada com a maneira de como lidamos e manifestamos nossos sentimentos.
Tem a ver com a energia que nos motiva, com o desejo e a libido. 

A OMS traz o segundo conceito a respeito: "A sexualidade faz parte da personalidade de cada um, é uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado de outros aspectos da vida. Sexualidade não é sinônimo de coito (relação sexual) e não se limita à ocorrência ou não de orgasmo. Sexualidade é muito mais que isso, é a energia que motiva a encontrar o amor, contato e intimidade e se expressa na forma de sentir, nos movimentos das pessoas, e como estas tocam e são tocadas. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e, portanto a saúde física e mental."

O sexo e a sexualidade na velhice são associados como um ato vergonhoso e, muitas vezes, como algo proibido. A família e a sociedade enxergam os idosos como assexuados e inativos sexualmente, o que é um grande mito. Esses estereótipos acabam reprimindo os idosos e fazendo com que eles não abordem o tema, até mesmo com profissionais da saúde, deixando de tirar dúvidas que possam ter e de cuidarem de seus corpos, comprometendo a sua saúde pois podem fazer o uso indiscriminado de viagra e não usarem preservativos. Essa última questão pode estar ligada a diversos motivos:  por preconceitos quanto ao uso de preservativos e por falta de informação sobre doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como a AIDS, associando ao uso de preservativos uma relação sexual ruim e por terem a ideia de que é apenas um método contraceptivo.
Pesquisas apontam que muitos idosos acreditam que a AIDS só pode ser contraída e transmitida por determinados grupos e que pode-se contrair através da picada de mosquitos. 
Ainda, por parte dos profissionais de saúde, pode haver dificuldade em abordar o tema com um paciente idoso, o que pode intensificar a problemática citada acima.
É importante lembrar que a AIDS tem crescido entre a população mais velha e que os profissionais e as unidades de saúde tem o papel de divulgar informações a respeito e maneiras de prevenir.

Com relação às mudanças fisiológicas da sexualidade do idoso, alterações naturais vão acontecendo ao longo do envelhecimento e estão relacionadas com as características genéticas e com o estilo de vida de cada um. É importante salientar que a vida sexual existe e permanece viva até que se alcancem os mais altos níveis de idade.
Nas mulheres, grande parte dessas mudanças está diretamente ligada ao processo do climatério, sendo caracterizado por calores intermitentes e em ondas; irritabilidade; 
aumento da sensibilidade emocional e alterações no sono (Freitas & Miranda, 2006). Há uma redução do nível dos estrogênios (hormônio feminino) que determina a diminuição da elasticidade da parede vaginal e das glândulas mucosas, de forma que sua lubrificação se manifesta menos rápida ou abundante, causando irritação, incômodo e dor durante a relação, podendo às vezes lacerar-se e sangrar (Capodieci, 2000). 
Com exceção das consequências da menopausa, as mudanças fisiológicas 
normais que acompanham o processo de envelhecimento interferem muito pouco na sexualidade feminina. O declínio do desejo sexual parece ter mais um sentido originário de defesa psicológica do que fisiológica, além de ter influências culturais.
Quanto ao homem, o que verifica-se é uma redução da espermatogênese (formação de novos espermatozóides), uma resposta mais lenta quanto à ereção e a ejaculação pode se retardar ou até mesmo ser ausente. Alterações também podem ser sentidas quanto ao período refratário – tempo existente entre um coito e outro –, que, de poucos minutos na adolescência, pode chegar a 15 ou até 24 horas durante a velhice, bem como quanto ao orgasmo, que passa a ser mais breve (Capodieci, 2000).
Essas mudanças implicam na necessidade de estimulações intensificadas, possibilitando relações amorosas mais prolongadas e carinhosas,  que não se encerram com o orgasmo, tornando a comunicação com o outro e com o mundo, mediante o ato sexual, ainda mais íntima e prazerosa (Rufino & Arrais, 2011).

Então, sexualidade na velhice é sim mais do que normal, estando relacionada com prazer, bem-estar, auto-estima e com a saúde física e mental. Cada um entende do seu corpo e nós, profissionais da saúde e da área da gerontologia, temos a função de auxiliar os idosos a buscarem maneiras que os deixem confortáveis com relação a sexualidade e ao ato sexual em si, lembrando-os sempre de usarem preservativos!  

Uma campanha da Flórida, Safer Sex for Seniors (Sexo Seguro para Idosos) de 2012, fez um filme com idosos ilustrando posições sexuais mostrando que a idade não é um empecilho, contanto que seja feito de forma segura. O site disponibiliza imagens para serem baixadas. Confiram e vejam o vídeo abaixo.    


Nós e as meninas do Singular Idade elaboramos um material sobre o Desejo. Está bem bacana e vocês podem conferir clicando aqui.

E então, o que acharam do tema? O que pensam a respeito? 
Queremos saber a opinião de vocês! Se gostaram, compartilhem para que as pessoas dispam-se de preconceitos.
Agradecemos a visita e esperamos que voltem sempre!
Um grande abraço!

Imagem retirada do site Safer Sex for Seniors




sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Refletindo sobre o Alzheimer

Olá queridos leitores!

Como estão?
Finalmente estamos postando por aqui. Vieram as festas de fim de ano e estamos bastante atribulados com nossos trabalhos, por isso a demora. Pedimos desculpas e que não desistam de nós! 
Temos postado novidades nas nossas redes sociais, não esqueçam de nos seguirem por lá também!
Por falar em novidades, já conferiram os folders que elaboramos em parceria com as meninas do Singular Idade? São quatro temas bem interessantes. Confiram na seção "Material informativo", no menu principal.

Hoje estamos compartilhando um texto muito bacana, interessante e sensível sobre doença de Alzheimer, escrito por Arthur Ruiz, que também é gerontólogo.

Arthur é graduado em Gerontologia pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (2013). Foi colaborador no Laboratório de Bioquímica e Biotecnologia na mesma escola (2011-2013). Mestre pelo programa de Mestrado Acadêmico em Saúde e Envelhecimento da Faculdade de Medicina de Marília e aluno pesquisador no Laboratório de Genética na mesma instituição (2014-2016). Doutorando em Farmacologia pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo e membro do Grupo de Pesquisa em Neurofarmacologia do Envelhecimento pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (2016-). Atualmente trabalha com vias de neuroproteção na Doença de Alzheimer e longevos.
Como perceberam, ele é super engajado nessa área.
Agradecemos imensamente a sua colaboração! 

Lembrando que esse mês é conhecido como Janeiro Branco, com o objetivo de evidenciar temas relacionados à saúde mental. Saiba mais em http://www.janeirobranco.com.br/

Confiram o texto, a seguir:
"E se, de repente, esquece-se dos últimos 5, 10 anos? E se, de repente, o caminho de volta pra casa ficasse irreconhecível? E se aquelas pessoas próximas de longa data já não tivessem um rosto tão familiar? 
Tais suposições parecem absurdas, mas o que realmente se mostra absurdo é que isso acontece com milhares de pessoas pelo mundo. Segundo dados da Alzheimer’s Disease International (ADI), em 2012, cerca de 35,6 milhões de pessoas eram acometidas pela Doença de Alzheimer. E uma projeção para 2050 de 115,4 milhões. 
Tais números sofrem influência do fenômeno tão comentado hoje em dia, o envelhecimento populacional. E como essa doença é quase que exclusiva à população idosa, sua incidência é diretamente proporcional ao número de idosos em todo mundo.
Por se tratar de uma doença neurodegenerativa, o comprometimento do sistema nervoso é certo, e sinais e sintomas como alteração comportamental, perturbação de processos relacionados à linguagem (afasia) e perda da capacidade de realizar movimentos simples, até então (apraxia) são, comumente, relatados. Mas o sintoma que ficou e continua marcado como sendo clássico na Doença de Alzheimer, é a perda de memória. 
Pesquisadores e profissionais de diversas áreas têm voltado suas atenções a essa doença nos últimos anos e avanços importantes já foram realizados. É como se revirássemos um quarto em busca de algo que precisássemos muito.
Logo na entrada, numa cadeira, sobre algumas mudas de roupa, encontrou-se que a Doença de Alzheimer não é um sinônimo de senilidade, houve a diferenciação entre as alterações cognitivas normais da velhice e a doença em si quando se descobriu indivíduos de meia idade com sintomas e fisiopatologia características da Doença de Alzheimer. Grande parte do séc. XX foi marcado por pesquisas localizacionaistas que tinham como objetivo delimitar áreas para facilitar a didática e tentar compor relações com comportamentos e doenças. E assim foi feito com a Doença de Alzheimer. Parecia que a charada teria seus dias contados quando a ligação entre hipocampo, memória e a doença foi feita. 
Mas não, ainda se tinha muito pra descobrir!
Características moleculares, clivagem de proteína, alterações em neurotransmissores, características genéticas, hábitos de vida, avanço nos diagnósticos, possíveis meios de tratamento. Uma chuva torrencial de novos conhecimentos e aplicações. Mas como num quarto típico de debutante, quanto mais se revira, mais se descobre. E que bom que mais se descobre.
A Doença de Alzheimer é mais multifatorial do que se imagina, desde suas bases moleculares etiológicas até a necessidade de confecção de uma rede de suporte social, no mínimo, estável para o enfrentamento da doença. 
Não se sabe em que gaveta está guardada a tão sonhada cura para a Doença de Alzheimer, mas como num típico quarto de debutante, deve estar muito bem escondida ao lado do diário."

E então, o que acharam?
Deixem seus comentários e compartilhem com seus amigos.
Agradecemos a visita e a companhia!
Um grande abraço. Voltem sempre!


Imagem retirada do Google