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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Memória e envelhecimento: como manter o bom funcionamento?


Olá, leitores!
Estamos de volta trazendo um tema que preocupa muita gente: a memória.

Nos dias de hoje, é comum ouvirmos as pessoas se queixando de esquecimento. E não apenas os idosos mas também jovens e adultos.  E olhem que interessante: as falhas de memória entre os idosos frequentemente tem as mesmas causas que em jovens, a não ser que alguma doença que a comprometa esteja instalada.
Existem muitos estereótipos e mitos com relação à memória das pessoas mais velhas, como a generalização de que todo velho é esquecido, que não são capazes de aprender novas informações ou de recordar fatos. É verdade que alguns aspectos da memória são afetados ao longo do envelhecimento mas não podemos associar as dificuldades que surgem com a senilidade (processo patológico do envelhecimento).

E quais são as causas em comum que podem prejudicar a memória de jovens e velhos? Algumas delas são: pouco esforço ou pouco uso da memória; cansaço; sobrecarga mental, estresse e preocupação em excesso; problemas de saúde; depressão; ansiedade; dificuldade em prestar atenção; não utilizar estratégias de memória; uso de alguns medicamentos; má alimentação; insônia; sedentarismo, dentre outros aspectos. Lembrando que não estamos falando de idosos acometidos por alguma demência, como o Alzheimer, ou que tenham algum tipo de sequela!

A memória possui subsistemas (que não iremos detalhar nesse texto) e todos eles interagem entre si e são inter-relacionados. Alguns aspectos começam a sofrer alterações por volta dos 25 anos de idade e outros não são afetados ao longo do envelhecimento. Geralmente, a área da linguagem e da cognição social são aspectos mais preservados em idosos sem demência e as funções relacionadas à atenção e às funções visuo-espaciais sofrem maior declínio.
As mudanças que ocorrem podem dificultar no aprendizado de novas informações e no resgate do que já sabemos, mas não se torna impossível. Muitas situações demandam mais de nossa memória e tornam-sem mais desafiadoras quando ficamos velhos e é preciso mais esforço para aprender algo novo e, se aprendermos bem a nova informação, não iremos esquecê-la. Não nos esquecemos de nossas atividades rotineiras justamente por repeti-las com frequência. Então, uma vez que nos dedicamos a aprender algo novo, provavelmente essa informação será armazenada. 

Existem maneiras de minimizar o impacto dessas alterações se estivermos dispostos a nos esforçar. Porém, devemos escolher tarefas e formas que sejam melhores para cada um de nós, que façam sentido e que nos ajude a manter as habilidades de memorização.
Algumas medidas que podem melhorar o potencial de nossa memória são:
- Exercitem-se e mantenham-se saudáveis;
- Reduzam o estresse sempre que possível. Tirem um tempo para fazer algo prazeroso e que te proporcionem tranquilidade;
- Diminuam medicamentos que possam afetar a sua memória e a sua atenção. Conversem com o seu médico a respeito;
- Reduzam a sobrecarga da sua mente. Coloquem as suas coisas sempre nos mesmos lugares e utilizem calendários, listas, agendas e lembretes.
- Realizem desafios mentais. Podem ser jogos ou aprender algo novo, como uma língua ou instrumento musical;
- Mantenham uma auto-concepção positiva a respeito do potencial de sua memória. Celebrem novas conquistas e não enfatizem os estereótipos relacionados à idade;
- Conheçam seus pontos fortes e fracos. Busquem técnicas que possam ajudar.

E, para lembrar o que é muito importante, tentem fazer o seguinte:
- Se necessário, utilizem seus óculos e aparelhos auditivos;
- Prestem muita atenção;
- Eliminem distrações externas e internas. Foquem totalmente nas suas atividades;
- Listem suas prioridades;
- Respeitem o seu tempo. Aprender e recordar demandam maior tempo quando vamos ficando mais velhos;
- Repitam as informações para criar uma nova memória;
- Pensem estrategicamente. Encontrem estratégias que geralmente funcionam para vocês. Alguns exemplos são: elaborar lembretes, organizar as informações em categorias, conectar novos itens com itens significativos que já estavam em suas memórias, identificar os principais pontos de uma história, repetir o que se deseja memorizar, escrever as informações, criar imagens mentais.

Essas são algumas dicas que podem ser úteis para pessoas de todas as idades. Além disso, existem programas de estimulação cognitiva que utilizam várias ferramentas para aprimorar a nossa memória e cognição. Não existe idade certa para iniciar, e melhores resultados são obtidos o quanto antes começar. Se vocês tem interesse entrem em contato conosco.
Esperamos que tenham gostado do texto e que tenha sido útil e informativo. Comentem a respeito e compartilhem conosco as suas estratégias para manter o bom funcionamento da memória. Estamos à disposição para qualquer esclarecimento.
Agradecemos a visita!
Um abraço.

terça-feira, 15 de março de 2016

Comunicação com Idosos

Olá a todos!
Como passaram a última semana? Esperamos que bem!

Vocês trabalham em uma empresa que recebe um grande número de idosos ou prestam serviços diretamente para este público? Sentem dificuldades para conversar com os mesmos e notam que eles não entendem muito bem o que querem dizer? Ou, então, possuem amigos ou familiares idosos e não sabem como se comunicar melhor com eles?
Nós podemos te ajudar!


O post de hoje está muito ligado com todos nós, com uma ferramenta que permite a nossa interação com o próximo e a nossa 
socialização: a comunicação. Esta é definida, principalmente, como o processo de troca de informações, podendo ser oral, escrita, visual, e/ou tátil. 
comunicacao.jpg
Os seres humanos, assim como outros seres vivos, possuem tal capacidade para se relacionar com outros indivíduos de sua espécie e para poderem interagir com o ambiente de modo geral. Aproveitamos dessa valiosa ferramenta para divulgar informações e conhecimentos às gerações mais novas, com diferentes objetivos. 

Porém, diversos problemas entre indivíduos, famílias, grupos de trabalho ou na sociedade, são frequentemente o resultado de falha na comunicação
Tendo em vista a rápida modificação do cenário etário do país, é necessário entender alguns pontos relacionados ao processo de envelhecimento que antes nem eram pensados. Durante esse processo ocorrem diversas alterações biológicas que acabam influenciando na qualidade da emissão e recepção de informações, o que pode acarretar em uma comunicação imprecisa. 
Com relação às pessoas idosas, muitas possuem dificuldades para entender informações, sejam elas verbais ou visuais, podendo ser ocasionadas pelas alterações naturais e, principalmente, pelas patologias relacionadas ao sistema sensorial, como dificuldades visuais e auditivas. 
Segundo a literatura, idosos queixam-se, comumente, de dificuldade de compreensão da linguagem falada, principalmente em situações de comunicações desfavoráveis, como em ambientes ruidosos ou velocidade de fala aumentada, correspondendo a barreiras na comunicação, que interferem no processo de entendimento dos indivíduos, pois o ambiente em que estão inseridos, também influi na interação social dos idosos (Wold, 2013).

Sendo assim, é preciso ter atenção e cuidado para nos comunicarmos com os mais velhos. 

É importante que a população em geral e os profissionais que lidam com a parcela idosa recebam informações e capacitação a respeito de temas que norteiam a velhice, como a comunicação. A educação para a população em geral sobre a velhice e os idosos acontece por meio de programas educacionais o que devem possibilitar à população mais jovem e aos idosos a revisão de seus conceitos sobre a velhice, seu processo de envelhecimento e as formas de lidar com esses fenômenos. Ainda é necessário muito trabalho para que mudanças e melhorias ocorram nesse sentido, enfatizando o respeito com os nossos idosos.

A formação de recursos humanos para o trabalho com os idosos diz respeito diretamente à qualidade de vida na velhice e ocorre através da capacitação técnica de profissionais e da formação de pesquisadores, que envolve seleção e fornecimento de métodos e técnicas para disseminar conhecimentos, habilidades e mudança de atitudes sobre o processo de envelhecimento, valores e o idoso.

Algumas dicas são importantes no momento de nos comunicarmos com os idosos. Algumas delas são:

 - Utilizar sempre frases simples, claras e afirmativas;

- Conhecer o vocabulário utilizado pelo idoso;

- Evitar fazer discursos ou ficar falando sozinho durante muito tempo;

- Falar sem gritar, de maneira pausada e calma, sem ser muito lento;

- Ouvir o idoso com paciência, respeitando seu ritmo de resposta;

- Falar de frente de forma que o idoso possa ler seus lábios;

- Evitar comunicar-se em ambientes barulhentos;

- Respeitar o idoso com suas características pessoais;

- Valorizar a experiência do idoso;

- Ser amável, paciente e atencioso;

- Permitir que o idoso participe do diálogo e das decisões tomadas em casa;

- Evitar expressões do tipo “deve”, “não deve”, porque reflete um relacionamento autoritário;

- Evitar expressões que depersonalizam, inferiorizam e/ou infantilizem o idoso, procurando chamá-lo pelo nome;

- Ser criativo para fazer o necessário nas condições possíveis. Ou seja, ter alternativas de comunicação como utilizar figuras, gestos, palavras familiares para que ocorra a comunicação mais efetiva. 

- Ter clareza e sinceridade com atitudes essenciais no relacionamento com o idoso e sua família.


Lembramos que essas dicas podem ser utilizadas em qualquer faixa etária, pois todos merecem respeito e paciência. (:

Esperamos que tenhamos sido claros nesta postagem e que vocês tenham gostado. Queremos saber a opinião de vocês!
E, nos ajudem a crescer! Divulguem nas suas redes sociais e para os seus amigos.
Qualquer dúvida podem nos escrever, seja aqui nos comentários ou por e-mail.

Obrigado e abraços!


Referências

CALAIS, et al. Queixas e preocupações otológicas e as dificuldades de comunicação
de indivíduos idosos. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2008;13(1):12-9. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/rsbf/v13n1/05.pdf Acesso em 05 de Novembro de 2015.

FECHINE, B.R.A.; TROMPIERI, N. O processo de envelhecimento: as principais
alterações que acontecem com o idoso com o passar dos anos. InterSciencePlace, v.
1, n. 20, pp. 106-132, 2012. Disponível em:
http://ucbweb2.castelobranco.br/webcaf/arquivos/15482/10910/envelhecimento.pdf.
Acesso em: 12 de outubro de 2015.

WOLD, G.H. Enfermagem Gerontológica. Rio de Janeiro. Elsevier, pp. 88-101, 2013.




sábado, 20 de fevereiro de 2016

Esquecimento é coisa de velho?

Olá pessoal! Como estão? Esperamos que tenham tido uma ótima semana!

Hoje vamos falar um pouco sobre esquecimentos e perda de memória, discutindo sobre a linha tênue do que é considerado normal e patológico.



Vamos iniciar com algumas questões: Vocês acham que todos os idosos tem problemas de memória? Acham que todos nós vamos ficar esquecidos quando ficarmos velhos?

A maioria da sociedade acredita que sim e, ainda, que esquecer é algo natural. Pois nós afirmamos que não é. Com o processo de envelhecimento acontecem diversas alterações naturais no nosso organismo, bem como no nosso cérebro. Muitas teorias apontam que começamos a apresentar uma alteração cognitiva a partir dos 25 anos de idade. Mas, não é para ficarem assustados! São pequenas alterações que interferem na nossa atenção e na possibilidade de realizar várias tarefas ao mesmo tempo, por exemplo, o que não é muito indicado de qualquer forma.

As pessoas geralmente tem medo de envelhecer, pois apresentam uma vaga noção de que vão começar a esquecer objetos em diferentes lugares, do nome dos familiares e de sua fisionomia. É verdade que, em alguns casos, os esquecimentos podem ocasionar acidentes, como por exemplo, deixar a boca do fogão acesa, ou o gás de cozinha. Quando os esquecimentos tornam-se frequentes e colocam o indivíduo ou outras pessoas em risco é necessário prestar atenção e procurar ajuda profissional.

Tais situações são mais frequentes do que imaginamos, e podem ser um indicativo de que a memória já não é como antes. Mas, afinal, o que é memória? Segundo Lent (2010), memória pode ser definida como a capacidade do indivíduo de processar, adquirir e recuperar informações.
Além disso, tem subdivisões e é influenciada pelo nosso sistema sensorial e pelo ambiente em que estamos.

Quando começam a ocorrer falhas no processamento das informações podemos dizer que o indivíduo está sofrendo de declínio cognitivo e, em alguns casos, de síndromes demenciais, que podem ser de vários tipos, como: depressivas, Doença de Alzheimer, Demência Senil, entre outras (Gonçalves e Carmo, 2012).
Porém, atenção! Nem todo esquecimento é causado por alguma demência. Não temos como guardar todas as informações que recebemos ao longo de nossas vidas e nem tudo o que vivenciamos ao longo do dia. Temos que perceber o grau desses esquecimentos e se é algo recorrente.
Todos esses tipos de síndromes podem apresentar em seu estado agudo um momento de delirium (que é quando o indivíduo está no momento de confusão mental), em que há a intensificação de sinais como: agressividade, irritabilidade, inquietude, entre outros sintomas.

Mas, afinal, como reconhecer se o seus familiares possuem um indício de Síndrome Demencial? É simples. Bastam observar alguns sinais relevantes:

- Verifique se o olhar da pessoa permanece estático, sem piscar, de modo que atravessa objetos e pessoas o qual mantêm o foco;

- Verifique se ele repete informações ou se utiliza diversas vezes a mesma expressão, mesmo que em tom baixo;

- Observe a comunicação não verbal do indivíduo (Ex: movimentação, se está agitado ou inquieto, expressão facial, se está irritado ou angustiado, principalmente após episódios de esquecimento ou confusão, entre outros sinais).

Muitos cuidadores, sejam eles familiares ou profissionais, sentem-se incapazes ou impossibilitados de fazer algo pelas pessoas que possuem algum tipo de demência, principalmente quando estão em um momento de delirium.
E, então, o que podemos fazer?

- Primeiramente mantenha a calma e compreenda o que acontece com a pessoa. Ás vezes o que parece normal para quem cuida, é um fator estressante para quem é cuidado;

- Procure identificar o fator estressante, que pode ser um fator ambiental (Ex: um ruído estridente, barulho de máquinas ou eletrodomésticos, aromas, luminosidade...) ou fatores psicossociais (Ex: pessoas, palavras proferidas, gestos e expressões faciais ou corporais,...);

- Se possível, afaste o fator estressante;

- Fale de modo claro e em tom suave;

- Tente trazer o paciente à luz dos acontecimentos, conversar, explicar e orientar a pessoa que está em delirium. Atenção! Algumas vezes essa prática pode acentuar os sintomas. Então procure colocar o indivíduo a frente da situação, para que ele reflita sobre o que está acontecendo;

- Proporcionar atividades prazerosas à pessoa que sofre com alguma demência. Atividades com música costumam ser bem aceitas e proporcionam boas sensações,

- Procure ajuda especializada.

Pessoas com graus intermediários e elevados de demência, possuem momentos de lucidez. É preciso aproveitar esses momentos para tranquilizar a pessoa. Quem pensa que somente idosos possuem demência, estão enganados. Foram relatados alguns casos, na Europa e América do Norte, de jovens a partir de 25 anos, e adultos a partir de 50 anos que possuíam Doença de Alzheimer.

Além disso, outras situações podem causar amnésia e confusão mental nas pessoas, como lesões, quedas e tumores no cérebro. E, a confusão mental (delirium) pode se manifestar como um sintoma de outras doenças, principalmente em idosos, podendo ser alguma infecção ou, até mesmo, desidratação.
Outros fatores que podem ocasionar perda de memória são depressão, ansiedade e estresse. Então, é sempre bom dar uma relaxada realizando exercícios de respiração, por exemplo.

Os nossos hábitos diários interferem diretamente no funcionamento do nosso corpo e da nossa mente. Por isso, cuide-se sempre. Beba muita água, desafie a sua memória, tente aprender algo novo, realize atividades prazerosas, tenha uma boa alimentação e faça exercícios físicos. Sabemos que a vida é corrida e que nem sempre temos tempo ou recursos para realizar tudo o que queremos, mas, sempre podemos melhorar um pouco por vez.

Por isso não é a toa aquele ditado: "Mente sã em um corpo são..." - John A. Locke.

Esperamos que tenham gostado e que as informações tenham sido úteis. Comentem sobre o que acharam e sobre possíveis dúvidas ou curiosidades. A opinião de vocês é muito importante!
Obrigada pela visita e voltem sempre!
Abraços.

Essa matéria foi baseada em nossas palestras, se você gostou do conteúdo, entre em contato conosco.

Se você deseja saber mais sobre nossa atuação, ou sobre os conteúdos que abordamos, envie-nos um email.



Referências

LENT, Robert. Cem bilhões de neurônios-Conceitos Fundamentais em Neurociência. 2ª. Edição, Editora Atheneu, 2010.

GONÇALVES, Endy-Ara Gouvea; CARMO, João dos Santos. Diagnóstico da doença de Alzheimer na população brasileira: um levantamento bibliográfico.Revista Psicologia e Saúde, v. 4, n. 2, p. 170-176, 2012.